Longe demais das capitais - Edblog
   
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BCPC: novo membro

A “brigada contra o politicamente correto” ganhou mais um membro ilustre: Raimundo Fagner, cantor cearense de voz rude, mais de 30 anos de carreira e polêmico pela própria natureza. Nunca fui verdadeiramente fã direto de sua música, mas, a partir de sua entrevista nas amarelas desta semana da vejinha vou ficar mais atento quando ouvir sua voz rouca de sarapatel (que considero muito interessante, diga-se).

 

Mesmo sem ser culto ou intelectual e apesar de ter cantado “borbulhas de amor”, Fagner tem uma visão acurada da situação de nosso país e do mundo. Ele afirma, corretamente, que os descerebrados (e mesmo os “cerebrados”) artistas “costumam agir em bando, só seguindo a manada. Querem sempre ser ‘bonzinhos’, ‘de esquerda’, ‘do bem’ – e, muitas vezes, nem refletem sobre o que estão dizendo”. Ainda afirma que eles são covardes por terem medo de parecerem “politicamente incorretos”.

 

Pensar, criticar, ser diferente e ter opiniões próprias está mesmo quase fora de moda. Fagner talvez não seja “intelectual” ou “genial” como Caetano Veloso (seu rival), mas, tem acuidade perceptiva muito maior do que o antes-genial-agora-brega Caetano. Expõem-se bastante ao criticar a Globo, a política, ao defender suas opiniões. Mas não é covarde e põe a cara à tapa. Isto é nobre.

 

Não que eu ache que o politicamente correto deve acabar, pois acho mesmo que ele tem sua função social. A crítica (e a brigada contra o politicamente incorreto) reside no fato da “sensível” percepção de perseguição a quem pensa diferente do bando, da manada.

 

A imprensa tem sua parte de culpa, pois os intelectuais por trás desta são totalmente defensores de opiniões politicamente corretas, muitas vezes imbecilizantes por excluir sua antípoda e negar a crítica que faz o rio do conhecimento correr. Mas, a grande ferida é mesmo a Academia. Um mundo onde as opiniões são altamente policiadas e não questionadas racionalmente e pensadas criticamente, corre sério perigo.

 

Parabéns Fagner. Bem vindo ao clube e à brigada.



Categoria: História e Cultura em geral
Escrito por Edkallenn às 21h08
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Todos nós estamos em alta. Quem quiser, confira!

Escrito por Edkallenn às 22h23
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Exasperado com o referendo (o não ganhou!), chateado com meu time e com futebol em geral, abro um livro para descontrair e o que encontro? Neruda, maravilhoso, me diz:

Amo el amor de los marineros
Que besan Y se van

Dejan una promesa.
No vuelven nunca más.

En cada puerto una mujer espera:
Los marineros besan y se van.

Una noche se acuestan con la muerte
En el lecho del mar.

(Amo o amor dos marinheiros que beijam e vão-se. / Deixam uma promessa. Não voltam nunca mais. / Em cada porto uma mulher espera: os marinheiros beijam e vão-se embora. / Uma noite se deitam com a morte no leito do mar.)

Lindo Neruda, mas tinha mais:

Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,
Ya no se endulzará junto a ti mi dolor

Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.

Fui tuyo, fuiste mía. Que más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.

Fui tuyo, fuiste mía. Tú serás del que te ame,
Del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.

Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy.

… Desde tu corazón me dice adiós un niño
Yo le digo adiós.

(Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos, já não se adoçará junto a ti a minha dor. / Mas para onde vá levarei o teu olhar e para onde caminhes levarás a minha dor. / Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos uma curva na rota por onde o amor passou. / Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame, daquele que corte na tua chácara [ou horto?] o que eu semeei eu [perceba a incrível lascívia deste verso]. / Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste. Venho dos teus braços. Não sei para onde vou. / ... Do teu coração me diz adeus uma criança. E eu lhe digo adeus.)

E ele tinha menos de vinte anos. Pode?? Grande poeta. Como se diz, a poesia é para quem precisa dela. E Neruda nos fala no íntimo de nosso ser. Precisamos de sua poesia.



Categoria: Literatura e Poesia
Escrito por Edkallenn às 21h36
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“Quanto mais corrupto for um governo, mais leis contra a posse de armas terá.”

Autor: Cornélio Tácito, historiador, biógrafo e etnólogo romano   ------>  Buscar na Web "Cornélio Tácito"

Preciso dizer mais alguma coisa????



Categoria: Citação
Escrito por Edkallenn às 14h11
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“Leis que proíbem o cidadão de ter armas são leis que desarmam apenas aqueles que, na sua ampla maioria, não estão inclinados a cometer crimes. Estas leis tornam as coisas piores para as vítimas e melhores para os marginais, elas mais encorajam que previnem os crimes, pois enchem de confiança os assaltantes. A mais forte razão, em última análise, para um cidadão ter direito às armas é se proteger contra a tirania de um governo.”

Autor: Thomas Jefferson, 3º presidente dos EUA e um dos redatores da Constituição Americana e um daqueles rostos no Monte Rushmore

Buscar na Web "Thomas Jefferson"

Contexto: Não poderia ser mais atual e conveniente...



Categoria: Citação
Escrito por Edkallenn às 13h59
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“Podem considerar-se como contrárias ao fim de utilidade as leis que proíbem o porte de armas, porque apenas desarmam o cidadão pacífico, enquanto deixam a arma passar nas mãos do criminoso, muito habituado a violar as convenções mais sagradas para respeitar aquelas que são somente arbitrárias”

Autor: César Beccaria

Buscar na Web "César Beccaria"

Quando: em 1763

Contexto: Não poderia ser mais atual e conveniente...



Categoria: Citação
Escrito por Edkallenn às 13h54
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Afinal, se arma não dá segurança, por que o próprio Estatuto do Desarmamento permite que parlamentares, juízes, promotores públicos etc. andem armados caso sintam ameaça à sua integridade física? Por que o porte de armas dá segurança para uns e insegurança para outros? Haja contradição!

Autor: JORGE ZAVERUCHA e ADRIANO OLIVEIRA
Quando: 17/10/2005
in "A precipitação do referendo" na Folha de São Paulo de hoje.



Categoria: Citação
Escrito por Edkallenn às 12h17
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Mensagem do Dia do Professor (atrasada!!)

Influenciado por um cartão virtual (valeu Ju) resolvi colocar aqui um texto que escrevi para um cartão para os mestres que fiz há alguns (vários) anos:

 

Nada é difícil quando se tem esperança, nada é impossível quando se tem coragem, não existe longe ou inatingível quando conhecemos o verdadeiro caminho.

Desafio e superação! Este é o destino com o qual convivem os educadores, professores e mestres quando escolhem sua jornada. Uma jornada, diga-se, árdua, quase nunca bem recompensada, com várias e imensas vicissitudes.

É uma jornada porém, em que o consolo vem transmutado no rosto feliz de uma criança, um jovem ou um adulto
que, sozinhos, conseguem rumar suas vidas graças ao trabalho e às incansáveis horas de labuta de um professor.

Parabéns a todos pelo dia em que todas as glórias recaem sobre os ombros daqueles que tanto nos auxiliaram em nossas vidas. A vocês mestres, o reconhecimento de quem ainda hoje admira-se com a mágica que é gerar, trabalhar e retransmitir o conhecimento...



Escrito por Edkallenn às 16h26
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Eu queria ter escrito isso:
“E o que vemos no momento?
Desarmar o povo desta nação, que já está desarmado, enquanto o "mercado" de armas se encontra entregue às mãos dos bandidos, terroristas e traficantes? Onde estão as forças regulares das nossas organizações militares e civis, adequadamente preparadas e armadas? É de questionar, ainda, como manter a defesa, em caso
de emergência, das propriedades nacionais e da própria família, uma vez que se propõe, com o desarmamento, deixá-las à própria sorte e, na sua fé, orando permanentemente a Deus, pedindo proteção contra os bandidos, criminosos, terroristas e traficantes -estes, sem fé, mas armados com equipamentos dos mais modernos, fazendo tremer as mais preparadas forças policiais.
Queremos uma nação que humilha e desfibra o trabalhador, violenta o cidadão, o homem correto, aniquila a sua família sem qualquer respeito humano, destruindo a dignidade individual, as nossas tradições e abalando até a nossa crença religiosa?
A resposta é: não.
Esta é uma nação de todos. De todos que têm consciência de que para uma vida segura e tranqüila não precisam estar armados nas ruas, como estão esses terríveis criminosos, terroristas, traficantes e invasores contumazes; e que, no entanto, têm direito de defender com dignidade sua liberdade, seu direito de propriedade, defender com todo o vigor seus filhos e sua família e estar organizado como coadjuvantes da defesa nacional constitucionalmente instituída. É assim que o homem do campo, proprietário, trabalhador e suas famílias entendem que é chegada a hora de acabar com as promessas demagógicas e deixar de avançar em projetos utópicos que nunca serão concluídos.
Ao encerrarmos, conclamamos a todos os produtores rurais e a sociedade brasileira em geral a registrarem, no próximo dia 23, para aqueles que querem desarmar, desestruturar e tornar a sociedade escrava de uma minoria inimiga da ordem e do respeito humano, um não.”
(texto Publicado na Folha de São Paulo, seção opinião do dia 14 de outubro por Fábio de Salles Meirelles, 77, bacharel em direito, membro da Academia Brasileira de Agricultura, e o presidente em exercício da CNA e presidente da FAESP e ex-deputado)


Categoria: Citação
Escrito por Edkallenn às 15h09
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Desarmamento (já não agüento mais isso)

Este é o primeiro ano da vigência do Estatuto do Desarmamento e da entrega das armas pelos cidadãos. Aqui no Acre as estatísticas oficiais (onde eu trabalho e tenho acesso) dizem-nos que nos seis primeiros deste ano os crimes com arma de fogo, de fato, caíram cerca de 84%. Uma queda considerável e louvável. Entretanto, os crimes cometidos com arma branca (prioritariamente facas) aumentaram aproximadamente (é incrível) cerca de 85%. Deixo para quem quiser tirar conclusões, que tire.



Escrito por Edkallenn às 18h56
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every day it's a losing battle
just to smile and hold my head up high
could it be that we belong together
baby won't you give me one more try
one more try?
(over my shoulder -mike and the mechanics)

Por que brigamos tanto? Será tão difícil assim a convivência pacífica entre homens e mulheres? Onde nossas falhas estão atrapalhando? Por que nos esforçamos em nos magoar? Quero apenas sorrir contigo e não perder mais nenhuma batalha. Quero apenas você. Pois tudo é cinza sem ti. Você daria mais uma chance a nós?



Escrito por Edkallenn às 20h27
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A primeira vez que tive contato com um livro de Bloom eu tinha uns 13 anos. É óbvio que meus limites intelectuais à época não puderam perceber o quão intenso era o pensamento deste crítico literário. E já tinha lido grande parte das obras mais conhecidas de Shakespeare, Hamlet incluído.

 

O tempo passou, minhas leituras aumentaram em número e qualidade, meu pensamento acadêmico e cultural foi aprofundando-se e hoje, ao ler esta entrevista chego a conclusão que tive quando li Bloom pela primeira vez. Concordo em grande parte com o homem e acho até que ele lê meus pensamentos. (que absurdo!). Quem seleciona um elenco esplêndido como Homero, Platão, Montaigne, Cervantes, Dante e Shakespeare e se dedica a estudá-los, demonstrar a força da influência dos mesmos para toda a cultura ocidental não pode estar errado.

Vejamos, Homero praticamente inventou, para nós, a poesia. A despeito da impenetrabilidade da língua grega, of course. Platão era do tempo que os filósofos faziam-se entender pelo estilo refinado e o toque artístico dos textos. Para os intelectuais bobocas é uma grande ironia que seus textos ditos “acadêmicos”, aqueles produzidos para os “entendidos” e em tom mais hermético perderam-se com o tempo. Restaram apenas suas obras para o “povo”, ou para os “não-entendidos”. O tom professoral das obras é ao mesmo tempo de um prazer estético imenso e inteligível.

Montaigne inventou o ensaio e a liberdade que este proporciona a seu autor. Era um sábio maiúsculo e já comentei sobre ele aqui. Cervantes, caramba! Como posso acrescentar algo sobre Cervantes? Tudo o que foi dito sobre ele ainda não o definiu por completo. E Dante fez, simplesmente, a maior poesia de todos os tempos. É difícil lê-la atualmente, admito. Mas, seus contemporâneos não erraram ao rotularem-na com o epíteto “divina”.

 

E Shakespeare? Não tenho cabedal suficiente para falar sobre Shakespeare. É óbvio que Bloom exagera quando diz que Shakespeare inventou o “humano”, mas, o bardo chega bem próximo disto. Quantos dramas, histórias, historietas, poesias, quanta densidade, quanta tristeza e alegria. Ninguém escreveu como ele. A primeira vez que li Hamlet (ainda não tinha lido Bloom) já achava um dos melhores escritos de todos os tempos. Comentar a influência do bardo é exercitar o óbvio. Nenhum filósofo falou tão profundamente e diretamente com as massas quanto o drama shakesperiano.

 

E a praga do politicamente correto que domina o mundo atual? Gostaria muito que Bloom tivesse energia suficente para melhor combate-la. Precisamos de pessoas como ele que combatam essa política intelectual da hipocrisia. O politicamente correto ultrapassou os limites a que se propunha (proteger as minorias) e chegou em um nível onde o debate inexiste. A ciência, o pensamento crítico e a sabedoria sofrem sério risco com esta praga. Uma vez, num “papo-cabeça” em uma mesa de bar (lembrei do bar ruim é lindo bicho) me disseram que eu era contra o PC porque não fazia parte de nenhuma minoria.  Retruquei imediatamente. Lembrei que, além de ter nascido em um lar muito pobre, mãe adolescente e com família desfeita, era um cafuzo, filho de uma índia com um descendente de nordestino (cearense) e que fazia sim, parte de uma minoria. Isso, porém não me dava o direito de proibir os outros de pensarem suas próprias opiniões. Lembrei que o perigo existia quando estas opiniões se transformavam em uma prática de exclusão e violência. Mas eu não preciso do “politicamente correto” para me defender.

 

Por isso, concordo com Bloom. Estou ansioso por ler seu novo livro e concordo quando ele critica o ressentimento, o puritanismo e a hipocrisia reinantes, não só nas academias americanas, mas em todo o mundo e, principalmente, na imprensa de esquerda engajada em seus slogans fáceis e imbecilizantes. A cultura sofre. A arte agoniza. O consumismo desenfreado grassa e por aqui, na terra brasilis, a corrupção domina. Há noite no mundo. Precisamos da luz da sabedoria (como dizia Nietzsche), precisamos da própria sabedoria diluída nos livros. Precisamos do debate, precisamos de críticos como Bloom. Precisamos de debatedores contrários a Bloom para o conhecimento fluir. Nunca precisamos tanto de cultura e arte. Ainda há uma chance!



Categoria: Literatura e Poesia
Escrito por Edkallenn às 10h58
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