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Viver é o segredo da vida.

Observando um comercial do canal Futura sobre um programa da Regina Casé sobre idosos, lembrei do meu velho de 76 anos. Numa pergunta, Regina Casé, questiona um senhor de oitenta e tantos anos qual seria, para ele, o segredo da vida. Ele responde que viver é o grande mistério.

Simples, correto e claro como as águas de Bonito. Da mesma forma que Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa diz. Agora, pensemos be. Imaginemo-nos com setenta e seis anos. Como será a percepção de que restam poucos anos?

Sou jovem. Ainda não sei. Me atormenta a pergunta desde já. O velhinho, cheio de vida, nos dando uma gratuita aula de vida, nos aparece com essa: viver é o grande mistério. E como ele vive intensamente.

Fabuloso. Viva meu velho, viva meu avô. Afinal, viver é o grande mistério.

Segue mestre Caeiro:

"Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério."
...
"... O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum."



Categoria: Literatura e Poesia
Escrito por Edkallenn às 21h30
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Sobre a crise política, na verdade, as reiteradas omissões de nossos governantes, citação de Padre Antônio Vieira:

"A omissão é um pecado que se faz não fazendo"(sermão da Primeira Dominga de Advento)

O que fazer com quem não faz o que de direito e de fato deveria fazer? O que fazer com quem não fez por fazer o que deveria ter feito quando foi delegado a fazer? Fico sem saber o que fazer! Neste eterno não-fazer, continuamos não fazendo o que é nosso fazer por direito.

Ficamos sem fazer, de fato, por não saber o que fazer. Faz muito tempo que o fazer no Brasil resume-se a um não-fazer. E assim seguimos não fazendo...



Categoria: Citação
Escrito por Edkallenn às 21h04
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O horrorível dos horroríveis

A justiça funciona sim!

Tem suas deficiências, é lenta, burocrática, é, muitas vezes, prolixa e verborrágica. É formada por humanos, em suma. Por isso, é tão louvável quando estes humanos acertam como neste episódio envolvendo a RedeTV e seu "horrorível" (mistura de horroroso com horrível) programa Tarde Quente apresentado pelo horrorível apresentador João Kléber. É notório a qualidade baixíssima do programa. Se esse fosse o único problema, ora, não haveria problema. A questão é a humilhação, o desrespeito, a ignomínia e a indecência a que são submetidos gays, lésbicas, bissexuais e toda sorte de outras pessoas nesse programa horrorível.

Há violações de direitos humanos clara neste arrremedo de programa televisivo. Ora, na República Federativa do Brasil, meus caros, constituída de Estado democrático de direito, não pode. É a lei. Vivemos, apesar de notícias contrárias, no império da lei. Se a lei, na qualidade em que se põe o MP e a juíza federal que deferiu a liminar determinando que a emissora parasse de exibir o triste problema e em seu lugar emitisse conteúdo educativo, determinou, ora meus caros, deve se cumprir a determinação. Se não se cumpre, que se sofram as conseqüências.

Que o programa é realmente uma ofensa à dignidade e aprofunda o já grande fosso do preconceito isso é claro. Que a determinação se cumpra, portanto. Que se louve os atores (com trocadilho, please) do processo, o MP e a Juíza.

Louvados sejam os cumpridores da Lei da República no dia da República. Louvados. Ave.

PENSAMENTO MUSICAL DO ANO, DA SEMANA:

Estava ouvindo o Lynyrd Skynyrd ao compor o post e imediatamente pensei:

"O Lynyrd Skynyrd é tudo o que o Scorpions queria ter sido, como banda, musicalmente falando, e não foi".
E assino. Quem não conhece o Lynyrd, please, não cometam esse pecado. Corram!!



Categoria: História e Cultura em geral
Escrito por Edkallenn às 15h51
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Porque eu gosto do Nando Reis

Gosto do Nando Reis desde a época dos Titãs. Seu vôo solo custou a emplacar, mas eu sabia que um dia ele conseguiria. Aqui no Acre dizemos que "o que é do homem o bicho não come". Voltando ao Nando, ele é simples, suas músicas, arranjos e boas melodias são simples. E isto hoje em dia é muito raro. Ele, afinal, ao contrário de boa parte de nossa música atual, não tenta escrever e cantar para a eternidade. Suas letras falam do dia-a-dia, de coisas banais. E assim, de forma banal, ele fala e toca coisas grandes, "coisas que pareceriam óbvias até para uma criança".

Suas metáfora são facilmente assimiladas e suas músicas assobiáveis realmente agradam. Nando parece o tipo de autor que, ciente de suas capacidades e limitações, faz apenas aquilo que lhe satisfaz. Faz música despretensiosa que acaba convencendo e escondendo em seus simples versos algumas pérolas para cantarolar e para distrair. Afinal música pop é isso. E Nando sabe disso. É só pop, mas eu gosto.

Rimas pobres, melodias simples, rimas internas, gírias, carros roubados, lembranças, saudade, amor tudo isso faz parte das imagens de Nando. E veja bem: lembranças, vasos quebrados, saudade, brigas, esperança, amor. Isso faz parte da nossa vida. É a vida real que ele canta. Ele realmente parece "trocar a eternidade por uma noite", ou um por momento, afinal, momentos são fugazes e realmente eternos em nossas lembranças. Ele se sente feliz em compor sobre estas imagens e transmite isso ao cantar.

Por isso gosto de Nando. É pop, é simples, é legal e eu gosto. As queixas, brigas, faltas, ausências, o amor. Isso é a vida e Nando sabe que a "a vida é mesmo coisa muito frágil / uma bobagem, uma irrelevância / Diante da eternidade do amor, de quem se ama".

Banalmente majestoso e majestosamente banal. Perfeito. Parabéns Nando, continue versificando e cantando o nosso dia-a-dia de forma melodiosamente frugal.



Categoria: Música e Cinema
Escrito por Edkallenn às 15h08
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