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Literatura e Poesia



O Ápice da Criação

Último ato da criação, e como tal, envolta em uma concepção de apuro, correção e esmero pelo Criador.
Inspiração maior de poetas e artistas da linguagem em todas as eras e lugares.
Plenitude em gênero, primor de sensibilidade e excelência no mais alto grau.
Antônima à crueza da vida e contraponto à rudeza a humanidade.
Remanso onde pais, filhos e maridos recostam para sobreviver ao frenesi do mundo moderno.
Enfim, soberana do trabalho, do lar e completude de nossas vidas.

Mulher, mãe, esposa, filha, amiga e companheira de trabalho: um dia é pouco para homenageá-la.
Uma semana é, também, pouco.
Parabéns pelo seu dia, que todos nós sabemos, são todos os dias. Sim, todo dia é dia da mulher e todos os dias são comemoráveis.
Afinal, sem vocês os nossos dias não seriam completos.
Parabéns.



Escrito por Edkallenn às 19h00
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O transcendental empírico

Ainda não tive nem tempo de buscar semanticamente os significados reais e críveis da frase que acabei de ler, mas concordei inteiramente com ela pelo histórico de vida, de romances reais e imaginários e pela bagagem acumulada em 20 e poucos anos bem vividos. Achei a frase aqui no meu caro Ina. E é uma citação de Sergio Fonseca. Ei-la:

"amor que não dói não é amor"

É isso! Quem quiser analisar semioticamente ou exercitar qualquer sacrifício de hermenêutica intelectual, que faça. Eu apenas concordo. Nem sei porque, mas concordo.



Escrito por Edkallenn às 14h13
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Viver é o segredo da vida.

Observando um comercial do canal Futura sobre um programa da Regina Casé sobre idosos, lembrei do meu velho de 76 anos. Numa pergunta, Regina Casé, questiona um senhor de oitenta e tantos anos qual seria, para ele, o segredo da vida. Ele responde que viver é o grande mistério.

Simples, correto e claro como as águas de Bonito. Da mesma forma que Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa diz. Agora, pensemos be. Imaginemo-nos com setenta e seis anos. Como será a percepção de que restam poucos anos?

Sou jovem. Ainda não sei. Me atormenta a pergunta desde já. O velhinho, cheio de vida, nos dando uma gratuita aula de vida, nos aparece com essa: viver é o grande mistério. E como ele vive intensamente.

Fabuloso. Viva meu velho, viva meu avô. Afinal, viver é o grande mistério.

Segue mestre Caeiro:

"Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério."
...
"... O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum."



Escrito por Edkallenn às 21h30
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Exasperado com o referendo (o não ganhou!), chateado com meu time e com futebol em geral, abro um livro para descontrair e o que encontro? Neruda, maravilhoso, me diz:

Amo el amor de los marineros
Que besan Y se van

Dejan una promesa.
No vuelven nunca más.

En cada puerto una mujer espera:
Los marineros besan y se van.

Una noche se acuestan con la muerte
En el lecho del mar.

(Amo o amor dos marinheiros que beijam e vão-se. / Deixam uma promessa. Não voltam nunca mais. / Em cada porto uma mulher espera: os marinheiros beijam e vão-se embora. / Uma noite se deitam com a morte no leito do mar.)

Lindo Neruda, mas tinha mais:

Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,
Ya no se endulzará junto a ti mi dolor

Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.

Fui tuyo, fuiste mía. Que más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.

Fui tuyo, fuiste mía. Tú serás del que te ame,
Del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.

Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy.

… Desde tu corazón me dice adiós un niño
Yo le digo adiós.

(Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos, já não se adoçará junto a ti a minha dor. / Mas para onde vá levarei o teu olhar e para onde caminhes levarás a minha dor. / Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos uma curva na rota por onde o amor passou. / Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame, daquele que corte na tua chácara [ou horto?] o que eu semeei eu [perceba a incrível lascívia deste verso]. / Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste. Venho dos teus braços. Não sei para onde vou. / ... Do teu coração me diz adeus uma criança. E eu lhe digo adeus.)

E ele tinha menos de vinte anos. Pode?? Grande poeta. Como se diz, a poesia é para quem precisa dela. E Neruda nos fala no íntimo de nosso ser. Precisamos de sua poesia.



Escrito por Edkallenn às 21h36
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A primeira vez que tive contato com um livro de Bloom eu tinha uns 13 anos. É óbvio que meus limites intelectuais à época não puderam perceber o quão intenso era o pensamento deste crítico literário. E já tinha lido grande parte das obras mais conhecidas de Shakespeare, Hamlet incluído.

 

O tempo passou, minhas leituras aumentaram em número e qualidade, meu pensamento acadêmico e cultural foi aprofundando-se e hoje, ao ler esta entrevista chego a conclusão que tive quando li Bloom pela primeira vez. Concordo em grande parte com o homem e acho até que ele lê meus pensamentos. (que absurdo!). Quem seleciona um elenco esplêndido como Homero, Platão, Montaigne, Cervantes, Dante e Shakespeare e se dedica a estudá-los, demonstrar a força da influência dos mesmos para toda a cultura ocidental não pode estar errado.

Vejamos, Homero praticamente inventou, para nós, a poesia. A despeito da impenetrabilidade da língua grega, of course. Platão era do tempo que os filósofos faziam-se entender pelo estilo refinado e o toque artístico dos textos. Para os intelectuais bobocas é uma grande ironia que seus textos ditos “acadêmicos”, aqueles produzidos para os “entendidos” e em tom mais hermético perderam-se com o tempo. Restaram apenas suas obras para o “povo”, ou para os “não-entendidos”. O tom professoral das obras é ao mesmo tempo de um prazer estético imenso e inteligível.

Montaigne inventou o ensaio e a liberdade que este proporciona a seu autor. Era um sábio maiúsculo e já comentei sobre ele aqui. Cervantes, caramba! Como posso acrescentar algo sobre Cervantes? Tudo o que foi dito sobre ele ainda não o definiu por completo. E Dante fez, simplesmente, a maior poesia de todos os tempos. É difícil lê-la atualmente, admito. Mas, seus contemporâneos não erraram ao rotularem-na com o epíteto “divina”.

 

E Shakespeare? Não tenho cabedal suficiente para falar sobre Shakespeare. É óbvio que Bloom exagera quando diz que Shakespeare inventou o “humano”, mas, o bardo chega bem próximo disto. Quantos dramas, histórias, historietas, poesias, quanta densidade, quanta tristeza e alegria. Ninguém escreveu como ele. A primeira vez que li Hamlet (ainda não tinha lido Bloom) já achava um dos melhores escritos de todos os tempos. Comentar a influência do bardo é exercitar o óbvio. Nenhum filósofo falou tão profundamente e diretamente com as massas quanto o drama shakesperiano.

 

E a praga do politicamente correto que domina o mundo atual? Gostaria muito que Bloom tivesse energia suficente para melhor combate-la. Precisamos de pessoas como ele que combatam essa política intelectual da hipocrisia. O politicamente correto ultrapassou os limites a que se propunha (proteger as minorias) e chegou em um nível onde o debate inexiste. A ciência, o pensamento crítico e a sabedoria sofrem sério risco com esta praga. Uma vez, num “papo-cabeça” em uma mesa de bar (lembrei do bar ruim é lindo bicho) me disseram que eu era contra o PC porque não fazia parte de nenhuma minoria.  Retruquei imediatamente. Lembrei que, além de ter nascido em um lar muito pobre, mãe adolescente e com família desfeita, era um cafuzo, filho de uma índia com um descendente de nordestino (cearense) e que fazia sim, parte de uma minoria. Isso, porém não me dava o direito de proibir os outros de pensarem suas próprias opiniões. Lembrei que o perigo existia quando estas opiniões se transformavam em uma prática de exclusão e violência. Mas eu não preciso do “politicamente correto” para me defender.

 

Por isso, concordo com Bloom. Estou ansioso por ler seu novo livro e concordo quando ele critica o ressentimento, o puritanismo e a hipocrisia reinantes, não só nas academias americanas, mas em todo o mundo e, principalmente, na imprensa de esquerda engajada em seus slogans fáceis e imbecilizantes. A cultura sofre. A arte agoniza. O consumismo desenfreado grassa e por aqui, na terra brasilis, a corrupção domina. Há noite no mundo. Precisamos da luz da sabedoria (como dizia Nietzsche), precisamos da própria sabedoria diluída nos livros. Precisamos do debate, precisamos de críticos como Bloom. Precisamos de debatedores contrários a Bloom para o conhecimento fluir. Nunca precisamos tanto de cultura e arte. Ainda há uma chance!



Escrito por Edkallenn às 10h58
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